domingo, 20 de maio de 2012

E então, como se fosse algo habitual e simples, ela olhou para ele. Olhos pesados, apagados, mórbidos e embargados. De certa forma, mortos. ele se sentiu sufocado. Um olhar o sufocará. Sentiu culpa, desanimo e fraqueza. Como se a culpa pertencesse a ele. Pertencia. Seus olhos vivos, cintilantes e acolhedores não conseguiram gitá-la por muito. Desviou, coçou a cabeça e pensou em algo que pudesse tirá-lo dali. Foi fraco e cínico. perguntou como ela estava. Ela arqueou as sobrancelhas  e sorriu. Um sorriso apagado , e como ela, morto, mas enganaria a situação, e enganou. Ela se fez de forte e mentiu. Disse que estava bem, e se sentiu na obrigação de acreditar. Acreditou por um segundo e logo depois esqueceu. Fraquejou, como sempre. Ele quis sorrir, mas dada a situação, nem conseguia mais. Ela, em apenas alguns segundos perto dele, roubou-lhe a alegria. " Alguns segundos ! " pensou ela, "ele pode suportar... Suportei uma vida inteira !". Ela disfarçou. Esperavam um elevador, apertou novamente o botão, mesmo sabendo que isso não mudaria a velocidade da cabine. Seu objetivo era deixar claro sua pressa em sair de perto dele. Dóia. Ele fingiu que não viu, e como um tolo, quis saber de sua vida. Ela contou algo fútil, disse que enfim conseguira entrar no curso que almejara. Perguntou de volta e ouviu dele que estava noivo. Seus olhos quiseram marejar. "Cretino" sibilou, e pensou. " me diz isso como se nada além dele importasse! Ele está feliz, que todos nós gozemos! Cretino medíocre!" mas ao invés disto, apenas disse, Fico feliz. Seus grandes olhos castanhos a olharam e por um segundo, ele a quis abraçar. Não porque ela expressara sua tristeza, pelo contrario,  seu rosto estava imparcial, mas porque de alguma forma, ele ainda era o único que conseguia sentí-la. Sentir o que sentia. A diferença era que a fraqueza dele, há muito, se tornara a força dela. Um completava o outro, de uma forma excêntrica. Um salvaria o outro. Enquanto ele a fitava, ela sentia seus olhos pesados em suas costas, mas ela se recusou a olhar. Seria forte. Precisava. "Talvez eu devesse abraçá-la" ele meditou, "não... ela não iria gostas. ME ODEIA! !" ele a fitou no silencio que se tomou e ela o encarou, por um espelinho caído da bolsa de alguém, junto ao elevador que parecia não chegar nunca. Se olhavam... Crente que o outro não sabia. Ela queria sair. Ele queria se salvar. Talvez pelo fato de que ele não sabia como se salvar, achou que tinha o direito de usar quem fosse, da forma que quisesse. Esse foi o erro que o fez perdê-la.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Baby

Palavras definitivamente não tem noção. Não possuem explicação. Quando soltas, é claro. Juntas, formam uma informação, e muitas vezes, uma bela de uma informação. Palavras são incríveis, de fato, mas os olhares... Ah, os olhares... Eles não precisam estar agrupados, em ordem ou expressar algo certo, necessariamente. Apenas precisam ser recebido. Como quem não quer receber, como quem não quer dar. Essa é a mágica, a coisa bela. E o que há a dizer sobre o toque ? O toque fascina, arrebata, faz voar ! Não há como resistir ! Não há homem forte o suficiente para fugir do toque de uma bela moça, da mesma forma que não há moça que possa dizer não há certos toques. Mãos em mãos, lábios em lábios... Essa é a mágica. E aquela estranha sensação que se forma na ponta da barriga que é intrigante. Não creio que exista explicação. Não há. Não quero que tenha.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Feh

Sempre vai ter alguém em que você vai pensar. Alguém que quando passa, o perfume paira no ar e o coração quase pula do peito, engole a timidez e quer ir atrás.  É essa paixão boba que nos deixa vulneráveis,indefesos e entregue as cegas a não sei quem. Mas ninguém costuma se importar com essa entrega estranha e se se importa, que volte atrás e se tranque numa caverna sozinho. Mas a graça está nos corajosos...
Sempre vai ter alguém corajoso o suficiente para se entregar.
Sempre vai ter alguém que você vai confiar. E vai exigir sua confiança de volta, porque no fim ela é isso, sem pedir queremos de volta. E é lindo isso. É puro. Enquanto não vulgarizarmos será puro.
E amar. Sempre vai ter alguém que você vai querer amar, mas sempre vai ter alguém no mundo que não vai ser amado.
O amor é puro. Não conseguiram inventar uma forma de vulgarizá-lo , e nem acho que poderiam. Não o verdadeiro. A entrega ao amor já foi corrompida, mas quem liga ? Ainda é especial. Única.
Encontrar alguém que pense em você da mesma forma que você pensa nele, confiar em alguém e ser reciproco, amar e ser amado de volta, é o que faz a vida valer a pena. É o que da a coragem pra enfrentar o que quer que tenha no mundo. Revigora. Da saúde.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Lide com isso

Considero nula a futilidade das pessoas ao meu redor. Que se amarrem a um tronco e se queimem, mas não ousem colocar meu nome como o delas: na sujeira. A minha vida está sob controle. Mas de quem ? Não posso pensar por mim mesma, e me surpreendo quando descubro que meio mundo está fazendo isso por mim. Hipócritas. As pessoas acham que me deram a luz , mais na verdade não me deram nada. Ao invés de calar a boca , elas julgam pra se sentir bem e esconder que tem defeitos. Fingem não ser humanas.
Ora, porque eu afinal ? O que há de mais nas minhas duas cores no cabelo, no meu tênis manchado e na minha mochila velha? Eu sou humana. Não me olhem como se eu fosse de outro planeta por não estar afim de seguir sua doutrina sinistra. Eu aprendi a pensar. Lide com isso.
Isso nunca se tratou do jeito que eu falo, visto ou como ajo. Então, do que se trata? O que mataria a sua sede, sociedade? Pois dê seu jeito e cure-se. Eu não vou embora. Prepare-se. Ensinarei a quem eu puder, o poder do pensamento. Prepare-se. 


quarta-feira, 21 de março de 2012

Está um pouco frio, e em dias assim me lembro de como nós nos conhecemos. Foi em um dia chuvoso e frio. Me lembro que começarmos a conversar enquanto esperávamos algo. Não me recordo o quê e nem sei se quero recordar. Você falava dos seus planos pro futuro e eu não me incomodava em ouvi-la, até que despercebidamente agente se beijou , seu beijo era doce e devagar. Eu ri. Me senti tão bem quando nossos lábios se tocaram. Me senti bem beijando uma estranha, mas naquele momento, era como se eu a conhecesse a anos. Décadas. Vidas.
Você vestia um bonito casaco azul e eu a minha velha camiseta de algodão. Eu não planejava sair de casa naquele dia, mas simplismente levantei e saí. Te encontrei. Não me arrependerei jamais dessa decisão. Te contei que queria comprar um apartamento, muito alto, e que queria ver o sol nascer e se por ao menos uma vez por semana. Você sorriu e achou bobo. eu te achei boba; ah seu riso... O mais doce e verdadeiro que eu já havia visto; então decidimos nos levantar, demos a mão um para o outro, e caminhamos por aí. A chuva começou a parar, mas mesmo assim continuamos a andar. Eu não conseguia parar de te olhar, eu amava como o vento deixava seu cabelo sobre seu rosto, como a chuva o deixou molhado e escorrido. Era fofo,  você detestava, e levemente você passava a mão para por o cabelo pra trás. Você era tão linda, seus cabelos castanhos combinavam perfeitamente com seus lindos olhos, que pareciam ameixas. 
Lindos. Expressivos. A porta de sua alma.
Ah, eu não sabia se o que sentia era "amor" ou "paixão" só sabia que queria estar com você sempre, até onde
fosse verdadeiro. Eu não queria rotular, queria só que você entendesse. Era o que me bastaria. Mas e aí, um belo dia te olhei e pensei : eu preciso ter você, enquanto eu tiver vida. Eu torci para que você sentisse o mesmo, mas o medo foi me tocando aos poucos, a insegurança me afetou e eu me calei. 
Fui obrigado a te ver ir. Tão linda. Tão radiante. 
Tão  inconstante.


Jesso K. / B.B